sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A suicida


A suicida preparou minuciosamente a sua execução.


Comprou giletes novas para os pulsos. Prostrou-se confortavelmente na banheira de água morna. No velho rádio, um melancólico jazz. Estava triste, muito triste. Deixou escapar um profundo soluço que a fez desabar em choro compulsivo. A música a apertava mais e mais.
Suas lágrimas escorriam inocentes, como uma criança assustada.


Esperava a música certa para ser seu réquiem. Enquanto o jazz não terminava, recordava suas frustrações.


E a suicida não era uma coitada. Bonita até, fisionomia serena e apresentável, até que tinha uma vida boa. Emprego próspero, amigos bons, morava sozinha — é verdade — mas era rodeada de amigos.


Seu problema era o seu namorado. Há cinco anos juntos, ele simplesmente a largou. Abandonou-a, como quem abandona um saco vazio de pipocas na saída do cinema.


Isso a feriu profundamente. Sem seu amor, sem sua paixão, ela não era nada.


A morte, para ela!


E como o destino nunca favorece os fracos, o velho rádio largou a música que embalara seus romances com aquele cretino. Era o destino, sempre o destino. Não restou-lhe dúvidas: Arrancou a afiadíssima lâmina da caixinha e passou no pulso. Doeu muito, mas não foi profundo o suficiente.


O telefone toca.


Era ele.


Ele estava sozinho, precisando de companhia.


Ela rapidamente coloca um pedaço de papel higiênico no corte. Arruma-se e vai ao seu encontro.


A suicida não sabe mais se o seu ex-atual namorado a está salvando ou levando-a para o inferno.


Ela sabe que vai chegar e vão transar como dois animais. Quem sabe ele só queira sexo.


Quem sabe ela apenas esteja prolongando sua morte com um placebo insípido.


Chega na casa dele e ao olhá-la ele diz:


— Oi amor, o que aconteceu no seu braço?


E ela responde, sem pestanejar:


— Nada... Deve ser estigma de amor incurável.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Indecisa - Ou "Me bate" Parte I



A Indecisa meio que virou pra trás, com aquele olhar estranho, do mal. E, da maneira mais inesperada (pelo menos pra mim que estava ali, pronto pra pular todinho dentro daquelas carnes), perguntou, singela:


– Mas você sabia que a gente ia transar ?


O tom tinha sido solene. Quase dava pra ver os ferros de uma ratoeira mental gigante se armando, pra então estalar como um raio no céu azul e morder. Meu pau. O bicho ameaçou dar uma amolecidinha, apesar da bunda arrebitada à minha frente.


A mulher estava simplesmente arreganhada, deitada por cima do braço do sofazão bacana, com o bundão pra cima, a calcinha de oncinha escorregando pra baixo pelas coxas brancas e carnudas, "la sonrisa vertical" babando pra mim. Notei os pentelhinhos aparados dos lados. Prefiro peludinhas...


E aí, em vez do “mifodji” regulamentar, ela me vinha com essa ?! Meu cérebro girou rápido, negociando com a corrente sanguínea uma prorrogação estratégica. Pra quê isso, meu santo Príapo ?


– Como assim ?


– Você achou que eu vinha aqui e a gente ia simplesmente transar, sem mais nem menos ?


Corta pra duas ou três noites antes. Nos conhecemos em uma mesa no Mojave, apresentados por um amigo comum. A simpatia foi instantânea, e o papo foi safado. Convidei ela pra almoçar (pra almoçá-la, digo) no sábado.


Ela veio, trucidamos o rango ali do lado, viemos tomar umas no meu apê, rolou um agarro regulamentar, virei ela no jeito, passei o cartão de correntista e...


– É importante pra mim saber. Você achou que ia me comer ?


Como “ia” comer ? Pelamordedeus. Se não, o que é que eu ia fazer com toda essa encomenda de leite? Ia subir tudo pra mente, talhar no meu raciocínio. Será que ela me deixava pelo menos bater uma punhetinha com modelo vivo ? Engatei um lance sincero.


– Achava, sei lá. A gente se deu bem, foi tudo tão espontâneo...


– É que é importante que você saiba que eu não sou assim... vulgar...


Assim vulgar como, querida ? Esse cu pra cima não é o seu ? Pensei isso mas disse outra coisa, mais diplomática.


– Eu acho que quando duas pessoas se encontram, se entendem, se atraem, e uma simplesmente fica com vontade de mergulhar na outra, isso tem, sei lá, poesia...

(PORRA ! É ÓBVIO QUE VOCÊ VEIO AQUI PRA EU TE FODER!)


– ...digo, tem situações em que não existe uma regra, o que vale é a intuição né, é como se a gente já se conhecesse há tanto tempo... Você também não disse que sente isso em relação a mim ?...

(SENTA LOGO NO MEU PAU E NÃO ME ATRASA, Ô HISTÉRICA !)


– ...as pessoas hoje vivem como estranhas, é tão raro a gente se sentir assim, verdadeiro, inteiro com alguém... Essa é uma magia delicada, que a gente não deve deixar escapar...


Enquanto eu falava, balançava de leve os quadris, roçando o pau na bundinha dela, tocando nas imediações da várzea (onde batem as bolas), uma espécie de pêndulo de hipnotizador. Ela pareceu relaxar. Apontei o resolvedor do problema, e...


– Então me bate.


– Hã ? – meus ouvidos não queriam acreditar.


– ME BATE COM FORÇA, NA CARA.


Desencaixei o negócio, e me arrastei até o aparelho de som, quase trincando os dentes. Bryan Ferry era o que eu precisava pra chorar logo de uma vez. “Slave To Love”.


– Sai, por favor. Eu não tou me sentindo bem – não é que eu estava quase chorando mesmo ?! Eu até podia encher ela de porrada, mas não ia ser a preliminar de foda nenhuma.


Ela olhou pras duas lágrimas que brilharam nos meus olhos, absurdada, e pro meu pau tristão – que também largou uma pequena lágrima. Subiu a pele de oncinha, baixou a microssaia, pegou a bolsa e foi saindo mesmo, como se o esquisito fosse eu.


Pra que catzo é que o macaco foi aprender a falar ?!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Twitter é cool e Orkut é brega ?


Faz algum tempo que me cadastrei no Twitter.


É bacana seguir algumas pessoas, ver o que elas tem a dizer. Nem que seja uma "pseudo-celebridade" dizendo:


- Olha, estou agora aqui no banheiro, direto do meu I-Phone, dando aquela sujada na porcelana.


Além disso, percebi que a grande maioria das pessoas tentam fazer comentários inteligentes e ou humorísticos / sarcásticos, sempre com aquelas tiradas geniais. Um fala e o outro responde com outra tirada genial. É um paraíso de pessoas inteligentes, descoladas e sempre com um comentário genial na ponta de língua.


É claro que no Twitter existe uma competição do tipo: Eu sou mais foda ! Eu sou mais inteligente ! Minhas tiradas são as mais geniais. Sem querer (ou não) existe uma competição de egos, pessoas queimando os neurônios o dia inteiro para mostrar o quanto são geniais.


Mas aí vem a parte estranha do negócio.


Você segue algumas pessoas que julga interessantes. Essa pessoa faz um comentário que você gosta. Você responde, dá replay. Aí percebe que essa pessoa tem 200.000 seguidores e é claro que não vai responder a sua humilde observação. Aí fica aquela sensação de ter falado com as paredes.


Outra coisa digna de nota são os seus seguidores. A maioria pessoas que você não conhece ou mesmo que são fakes. Você num dia inspirado, posta um comentário que acha genial (mesmo que não seja). E fica esperando feedback. É claro que não vai ter, seus seguidores ou não existem ou são pessoas que seguem mais 100.000 pessoas. Ou seja, falou com as paredes de novo. Pois entre seus seguidores, nenhuma personalidade que você segue vai ler você. Pelo simples fato de ela não te seguir.


O que eu reparo é que existem (como em todo lugar), panelas, círculos fechados. Artistas falam com artistas, empresários com empresários, celebridades com celebridades. E todos com os egos inflados por serem seguidos por pobres mortais como eu, que acompanho discussões, rio sozinho de alguns comentários, fico puto com outros. Mas tadinho de mim. Quem sou eu para dar pitaco nessas conversas bacanas ? Serei solenemente ignorado.


O fato que é o Twitter é legal, é cool. É um meio rápido de divulgar informações, obtê-las, é útil pela agilidade. Muitos meios de comunicação conseguem furos em primeira mão através do Twitter. É uma bela ferramenta.


Mas para desvalidos como eu, serve apenas como diversão. Para ler opiniões e notícias das mais variadas, desde "comi uma caixa de bombons inteira" vinda de uma modelo-atriz, até mais relevantes como "a bolsa cai 0,75% hoje" de um economista sério.


Porém, para os descamisados virtuais: Interatividade Zero.


Ninguém que interesse vai te seguir. Ninguém que interessa vai te ler. Se quer interação, fuja do Twitter.


Faça como eu: Tenha Twitter e dê uma espiada de vez em quando.


Mas para interagir, nada como o velho, bom e brega Orkut.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Alguém já reparou ? As BBBs não lavam a mão depois do banheiro...


Não sei se apenas eu reparei....mas ninguém ate agora comentou o fato que as adoráveis BBBs não lavam as mãos após saírem do banheiro. Seja após o famoso "número 1" ou "número 2"...


Isso acontece sempre, mas ontem antes da prova do líder em que eles tinham que pegar pilhas para contagem, a adesão 'a falta de higiene beirou os 100%....só a Ana chorona lavou as mãozinhas, e nem precisou a vovó avisar.


E na hora da contagem, haviam pilhas normais, duracell e odor bacalhau....só que nesta última categoria, nem falaram nada. Não valiam pontos.


Mais do que nunca vale a máxima: Nóis sêmo pobre, mas sêmo limpinho...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A moda agora é ter CASTELO ! E com piscina !!!


Seguindo a mais nova tendência do mundo dos abastados, a moda agora é ser o feliz proprietário de um CASTELO !!!


Segue aqui a dica de como contruir com com seus próprios recursos, com a apresentação de uma foto-modelo.


E como todos de nossa classe social somos loucos por uma piscina, isso não é problema ! Construa o seu castelo em qualquer lugar de SP, que nossos mandatários oferecem a piscina de graça, conforme ilustra a foto abaixo.


Castelo e piscina de graça....você só encontra em terra brasilis mesmo.

Dica quentíssima de viagem !


Prá você que está fora de SP e é um (a) eterno consumista-capitalista, segue uma dica imperdível para turbinar seu guarda-roupa comprado nas Casas Bahia (ou Closet, se preferir), ou incrementar o rack "Bartira" de sua sala de estar com incríveis equipamentos eletrônicos:



EXCURSÃO PARA A 25 DE MARÇO ** SÃO PAULO **

Roteiro:
Brás e 25 de Março, saída: 2ª, 4ª e 6ª. Ônibus executivo sem banheiro
R$ 80,00 até São Paulo
Café da manhã, água, refrigerante, lanche mortadela na ida e sorteio de um Churrasquinho Grego com Ki-Suco .

Falar com Edicreusa ou Zé Quirino

Solicitar contato ao blogueiro, que não divulga aqui para não haver congestionamento nas linhas telefônicas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Começando

Começa hoje Lazeira Plus !

Somente comentários pessoais do editor, notícias de "não celebridades" e anônimos de todas as castas.

Notícias realmente desinteressantes e que não mudarão sua vida em absolutamente nada.

Anônimos, uni-vos !!!